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  • Um relíquia inesperada no Lago Ontário revela um mistério naval do século XIX

    Um relíquia inesperada no Lago Ontário revela um mistério naval do século XIX

    Uma expedição subaquática que tinha como objetivo localizar os destroços de um navio do início do século XX acabou revelando algo ainda mais surpreendente no fundo do Lago Ontário, a cerca de 100 metros de profundidade, próximo a Toronto. No local, os mergulhadores encontraram uma embarcação de madeira extraordinariamente bem preservada, construída entre 1800 e 1850, um período pouco documentado da história naval dos Grandes Lagos.

    Inicialmente, a equipe canadense procurava o Rapid City, uma escuna de dois mastros construída em 1884 e naufragada em 1917. A suspeita era de que uma grande “anomalia” detectada em 2017 durante um levantamento no leito do lago, realizado durante a instalação de um cabo de fibra óptica, correspondesse a esse navio. As imagens captadas durante o mergulho, no entanto, mudaram completamente o rumo da investigação.

    Um estado de conservação considerado excepcional

    “As imagens são impressionantes. A embarcação mantém sua forma original, com os dois mastros ainda de pé, algo extremamente incomum”, afirmou Heison Chak, mergulhador de exploração e presidente do Conselho Subaquático de Ontário, em entrevista à CBC News. Com mais de vinte anos de experiência na exploração de naufrágios no Canadá, Estados Unidos e Caribe, Chak declarou nunca ter visto algo semelhante.

    A profundidade extrema parece ter sido decisiva para o excelente estado de conservação. Protegido da ação humana, como âncoras, redes de pesca e até mergulhos recreativos, o navio permaneceu praticamente intocado por décadas. Segundo Chak, a localização é tão profunda que é provável que ninguém tivesse chegado ao local antes dessa expedição.

    Evidências apontam para um navio muito mais antigo

    A análise arqueológica reforçou a hipótese de que a embarcação é significativamente mais antiga do que o Rapid City. Para o arqueólogo marítimo James Conolly, diversos elementos estruturais indicam uma construção anterior à segunda metade do século XIX.

    Entre os principais indícios está o uso exclusivo de amarrações em corda, sem qualquer reforço metálico, um padrão comum antes da década de 1850. Conolly também destacou a ausência de um leme no convés de popa, a inexistência de um guincho de bolina e a presença de um modelo antigo de guincho de âncora.

    Outro detalhe relevante é a falta de uma quilha retrátil, inovação que se popularizou nos Grandes Lagos durante a construção do segundo Canal Welland, nos anos 1850. De acordo com o pesquisador, esses fatores sugerem que o navio pode ser de 50 a até 100 anos mais antigo do que se imaginava inicialmente.

    Uma janela rara para um período pouco documentado

    Caso a datação seja confirmada, o naufrágio poderá oferecer um vislumbre raro de um período ainda pouco compreendido da história dos Grandes Lagos. Entre 1800 e 1850, a região passou por um intenso crescimento econômico impulsionado pelo comércio entre Canadá e Estados Unidos. Para sustentar essa rede comercial, centenas de embarcações foram construídas, muitas delas em pequenos estaleiros que deixaram poucos registros formais.

    As perdas eram frequentes devido a tempestades severas e acidentes, e a rápida transição tecnológica da navegação à vela para os barcos a vapor fez com que muitos projetos fossem abandonados sem documentação adequada.

    Próximos passos da pesquisa arqueológica

    Apesar da importância da descoberta, especialistas ressaltam que ainda são necessárias análises mais aprofundadas para confirmar a idade exata da embarcação. Estima-se que existam cerca de 6.500 naufrágios no fundo dos Grandes Lagos, mas poucos apresentam um nível de preservação tão elevado quanto este.

    A equipe planeja retornar ao local na próxima temporada de mergulho para realizar um levantamento dimensional detalhado e coletar amostras de madeira. Essas análises poderão permitir uma datação mais precisa e, possivelmente, a identificação do estaleiro de origem, ajudando a esclarecer um capítulo pouco conhecido da história naval da região.

  • Por que a gasolina é diferente em cada país: composição, regras e impactos no desempenho

    Por que a gasolina é diferente em cada país: composição, regras e impactos no desempenho

    Em 2024, o consumo mundial de petróleo chegou a cerca de 101,4 milhões de barris por dia, dando origem a diversos derivados, como gasolina, diesel, querosene de aviação e óleo combustível. Apenas no Brasil, foram comercializados 133,1 bilhões de litros de combustíveis líquidos automotivos, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo. O que muita gente desconhece é que a gasolina utilizada no Brasil pode ser bastante diferente daquela encontrada em outros países, resultado direto de leis, clima, políticas energéticas e normas ambientais que moldam a “receita” do combustível ao redor do mundo.

    Octanagem e desempenho do motor

    A octanagem é o principal fator que diferencia a gasolina entre os países. Ela mede a resistência do combustível à detonação prematura durante a compressão no motor. Quando a octanagem é inadequada para o tipo de motor, pode ocorrer a chamada batida de pino, reduzindo desempenho e causando danos mecânicos.

    No Brasil, a gasolina comum possui octanagem mínima de 87 IAD, enquanto a gasolina premium apresenta valores mais elevados, adequados a motores de maior compressão, comuns em veículos importados ou de alto desempenho. Em comparação, nos Estados Unidos o padrão mais comum é 87 AKI, e na Europa predomina a gasolina 95 RON. Apesar de os números parecerem diferentes, muitas vezes tratam da mesma resistência medida por escalas distintas.

    Historicamente, o Brasil já teve padrões mais baixos de octanagem. Dois avanços importantes marcaram a evolução do combustível nacional: a eliminação do chumbo tetraetila em 1992 e a redução drástica do enxofre em 2014, de 800 para 50 ppm.

    Ajustes na gasolina por causa do clima

    O clima também influencia diretamente a formulação da gasolina. Em países frios, como Canadá e Noruega, o combustível precisa ser mais volátil para facilitar a partida do motor em baixas temperaturas. Já em regiões quentes, como Brasil, Índia e Oriente Médio, a gasolina é menos volátil para evitar evaporação excessiva, aumento da poluição e problemas como o vapor lock.

    Esses ajustes são feitos principalmente por meio do controle da pressão de vapor e da escolha dos hidrocarbonetos usados na mistura. Alguns países chegam a alterar a composição da gasolina conforme a estação do ano.

    Teor de enxofre e impacto ambiental

    O enxofre está naturalmente presente no petróleo bruto, mas é altamente indesejável. Ele prejudica catalisadores automotivos e aumenta a poluição. Por isso, durante o refino, busca se remover o máximo possível dessa substância.

    No Brasil, o limite máximo é de 50 ppm para gasolina comum e 30 ppm para a premium. Em mercados mais rigorosos, como União Europeia e Estados Unidos, o padrão médio permitido é de 10 ppm. Já alguns países em desenvolvimento ainda aceitam níveis muito mais altos, chegando a 500 ppm.

    A redução do enxofre na gasolina brasileira é considerada um avanço importante, pois contribui diretamente para a diminuição da poluição urbana e para a maior durabilidade dos sistemas de controle de emissões dos veículos.

    Mistura obrigatória com etanol

    A maior diferença da gasolina brasileira em relação ao resto do mundo está na mistura com etanol. Por lei, a gasolina no Brasil deve conter entre 22% e 27% de etanol anidro, percentual que pode chegar a 30%. Essa política surgiu nos anos 1970 para reduzir a dependência do petróleo importado e fortalecer a produção nacional, já que o Brasil é um dos maiores produtores de etanol do mundo.

    A gasolina comum brasileira pode ser classificada como E30, enquanto a premium geralmente é E25. O etanol melhora a octanagem, substituindo aditivos tóxicos usados no passado, além de reduzir a concentração de substâncias nocivas como enxofre, benzeno e olefinas.

    Hoje, mais de 70 países já adotam algum nível de mistura de etanol. Nos Estados Unidos e em vários países europeus, o padrão mais comum é o E10, enquanto o E20 começa a ser regulamentado em alguns mercados.

    Aditivos obrigatórios e opcionais

    No Brasil, além do etanol anidro, nenhum outro aditivo é obrigatório por lei na gasolina comum. Em outros países, porém, há exigências adicionais, que podem incluir detergentes para limpeza do sistema de injeção, antioxidantes para evitar degradação durante o armazenamento, anticorrosivos, agentes antiespuma e até corantes para diferenciação fiscal ou regulatória.

    Já os combustíveis premium costumam incluir pacotes de aditivos voltados à proteção do motor, redução de desgaste e melhora do desempenho. Esses produtos prometem maior eficiência, menor consumo e maior vida útil dos componentes mecânicos.

    Restrições ambientais e combustíveis especiais

    Diversas regulamentações ambientais ao redor do mundo limitam substâncias tóxicas presentes na gasolina, como benzeno e compostos aromáticos. No Brasil e na União Europeia, o benzeno não pode ultrapassar 1% do volume total do combustível.

    Um caso extremo é o da Califórnia, nos Estados Unidos, que possui regras próprias ainda mais rígidas. A chamada “gasolina CARB” tem especificações tão específicas que refinarias precisam produzir lotes exclusivos apenas para abastecer o estado, com foco máximo na redução de emissões.

    Qualidade do combustível e cuidado ao abastecer

    Independentemente de optar por gasolina comum ou premium, a procedência do combustível é fundamental. Abastecer em postos sem confiabilidade pode comprometer o motor, aumentar a poluição e gerar custos elevados de manutenção. Escolher fornecedores confiáveis garante melhor desempenho, maior durabilidade do veículo e menor impacto ambiental.

    No fim das contas, as diferenças na gasolina ao redor do mundo mostram como leis, clima, tecnologia e políticas energéticas moldam o combustível que chega ao tanque do seu carro.

  • Ursa-negra escala poste de energia no Arizona e é resgatada por eletricista em operação arriscada

    Ursa-negra escala poste de energia no Arizona e é resgatada por eletricista em operação arriscada

    Uma ursa-negra adulta viveu momentos de tensão no Arizona, nos Estados Unidos, após escalar o topo de um poste de energia e ficar presa em uma posição extremamente perigosa. A situação inesperada exigiu a intervenção rápida de um eletricista especializado, chamado às pressas para evitar que o animal sofresse um choque fatal.

    Segundo o portal USA Today, o profissional Werner Neubauer foi acionado depois que moradores alertaram que um grande animal havia subido até o alto da estrutura e parecia incapaz de descer. Ao chegar ao local, Neubauer encontrou a ursa fêmea agarrada firmemente ao poste, visivelmente assustada e resistente a qualquer tentativa natural de retorno ao solo.

    A primeira medida do eletricista foi desenergizar completamente o equipamento, eliminando o risco de descarga elétrica durante a operação. Com o poste seguro, ele utilizou a plataforma elevatória de seu caminhão para se aproximar do animal e empregou uma vara de fibra de vidro, instrumento isolado e seguro, para tentar induzir a ursa a se mover.

    O momento foi registrado em vídeo pela esposa de Neubauer. Nas imagens, o eletricista toca cuidadosamente o animal, que inicialmente hesita, mas após alguns instantes desliza pelo poste e volta ao solo sem ferimentos, fugindo rapidamente para a vegetação próxima.

    Neubauer explicou que este não foi um episódio isolado. Em 2021, ele já havia participado do resgate de um urso jovem que, coincidentemente, também havia subido no topo de um poste de energia. Segundo o eletricista, encontros desse tipo mostram como a vida selvagem pode se aproximar perigosamente de infraestruturas humanas.

    Casos assim destacam a imprevisibilidade do comportamento animal e a necessidade de manter equipes de emergência preparadas para lidar com situações delicadas envolvendo fauna e equipamentos urbanos. O resgate bem-sucedido demonstra que uma intervenção rápida, cuidadosa e tecnicamente correta pode salvar vidas e evitar acidentes graves.

  • Ursinho científico desaparece após atingir a estratosfera e mobiliza buscas no Reino Unido

    Ursinho científico desaparece após atingir a estratosfera e mobiliza buscas no Reino Unido

    Um experimento escolar que pretendia mostrar, de forma divertida, como funciona um balão de alta altitude acabou se transformando em uma operação de busca que hoje envolve estudantes, professores e até moradores de várias regiões da Inglaterra. Bradfield, o ursinho de pelúcia escolhido como mascote da missão, desapareceu depois de alcançar aproximadamente 27 km acima da superfície da Terra, durante um lançamento organizado pelos alunos da Escola Walhampton.

    O boneco, facilmente reconhecível pelo uniforme composto por camisa xadrez azul e branca, shorts azul-marinho e gravata borboleta combinando, foi preso a um balão meteorológico projetado para chegar à estratosfera. O lançamento ocorreu em 10 de novembro, às 12h30, com apoio da Sociedade de Voos Espaciais da Universidade de Southampton e autorização da Autoridade de Aviação Civil.

    Uma aventura espacial que acabou em mistério

    Bradfield não subiu sozinho. Junto dele viajou também Bill, um texugo de pelúcia. Nas primeiras horas, tudo indicava que o experimento seria um sucesso. As imagens enviadas pela câmera instalada na estrutura mostravam nuvens densas e até a curvatura da Terra, prova de que o mascote havia atingido a estratosfera.

    Por volta das 15h20, no entanto, a missão sofreu uma reviravolta inesperada. As últimas imagens registraram o momento exato em que Bradfield se desprende da estrutura e inicia uma queda descontrolada. Enquanto o balão e Bill pousaram em segurança em um campo próximo a High Wycombe, o ursinho desapareceu sem deixar rastros.

    Onde o ursinho pode ter caído

    Com base nos dados analisados, a equipe responsável acredita que Bradfield tenha aterrissado numa área que vai de Earley, perto de Reading, até Fawley, próximo de Henley-on-Thames. Um mapa de telemetria conferido por estudantes universitários reforça essa faixa de possível impacto, mas, até o momento, nenhuma pista concreta foi encontrada.

    A professora de ciências Ellie Robinson, que acompanha o projeto, afirmou à BBC News que o mascote teve um desempenho “incrível” ao alcançar quase 27 km de altitude. Ela disse acreditar que o ursinho está “bem”, tranquilizando as crianças ao lembrar que Bradfield “é muito corajoso e engenhoso”.

    Apelo à população e esperança dos alunos

    Para ampliar os esforços de busca, a escola divulgou um apelo público pedindo que moradores da região fiquem atentos e comuniquem qualquer avistamento. “Se você tiver qualquer informação, por menor que seja, por favor nos avise”, escreveu a instituição, pedindo também fotos ou vídeos que possam ajudar a localizar o mascote desaparecido.

    Enquanto isso, o clima na Escola Walhampton é de expectativa. Os alunos, que acompanharam todas as etapas do projeto – da preparação técnica ao acompanhamento das imagens captadas na estratosfera –, agora aguardam ansiosamente pelo retorno do pequeno explorador que se tornou, sem querer, protagonista de uma curiosa aventura científica.

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  • Aos 80 anos, Natalie Grabow faz história ao completar o IRONMAN mais desafiador do mundo

    Aos 80 anos, Natalie Grabow faz história ao completar o IRONMAN mais desafiador do mundo

    A norte-americana Natalie Grabow, aos 80 anos e 69 dias, entrou definitivamente para a história do esporte ao se tornar a pessoa mais velha a completar o Campeonato Mundial IRONMAN 140.6, realizado em 11 de outubro, em Kailua-Kona, no Havaí. Com um tempo total de 16 horas, 45 minutos e 26 segundos, ela conquistou ainda o 1º lugar na categoria feminina de 80 a 84 anos. O feito extraordinário foi reconhecido e oficialmente validado pelo Guinness World Records.

    Para cruzar a linha de chegada, Natalie enfrentou uma das provas mais duras e icônicas do planeta: 3,9 km de natação, 180 km de ciclismo e 42 km de corrida, equivalentes a uma maratona completa. Apesar de toda a dificuldade física e mental, ela descreveu a experiência como “absolutamente encantadora”, destacando o orgulho de fazer parte de um momento histórico para os esportes de resistência.

    Um começo tardio, mas uma jornada inspiradora

    O mais impressionante é que Natalie não teve contato com esporte competitivo durante a juventude. “Cresci nas décadas de 40 e 50, quando não havia esportes organizados para meninas e mulheres”, contou ao Guinness. Mesmo assim, manteve paixão pela atividade física, primeiro como líder de torcida, depois praticando esqui, tênis e corrida.

    Foi apenas aos 59 anos que decidiu aprender a nadar, motivada pelo desejo de participar de seu primeiro triatlo. Desde então, nunca mais parou. Em mais de 20 anos como triatleta, acumulou cerca de 30 provas de curta distância, 50 meio Ironman e 16 Ironman completos, sem sinais de desacelerar.

    Desafio de Kona: calor, vento, resistência e estratégia

    As condições extremas de Kona são famosas entre os triatletas: calor intenso, umidade elevada e ventos fortes. A experiência de Natalie foi essencial para lidar com essas adversidades. Ela completou a natação em aproximadamente 1h45, pedalou por quase 8 horas e finalizou os 42 km da corrida em 6h40.

    Me hidratei e me alimentei bem, controlando meu ritmo para nunca ficar sem energia”, explicou. A estratégia cautelosa e disciplinada foi decisiva para o sucesso.

    Apoio, preparação e força emocional

    Natalie destacou que sua conquista não foi apenas individual. Sua treinadora, Michelle Lake, esteve ao seu lado durante toda a jornada no Havaí, enquanto o preparador físico Eddie Frayne ajudou a fortalecer sua performance na natação. Mas o apoio mais especial veio da filha mais nova, Amy Rousseau.
    Ela foi parte essencial. Passar aquela semana juntas foi algo que guardarei com carinho”, disse emocionada.

    Um exemplo mundial de determinação

    A organização do IRONMAN celebrou o feito. Segundo Dan Berglund, vice-presidente de Comunicações Globais do evento,
    Aos 80 anos, ela mostrou ao mundo que determinação e trabalho árduo não têm limites.”

    Natalie deixou também uma mensagem simples, mas poderosa, para todos que desejam seguir seu exemplo:
    Trabalhe duro, seja consistente e preste atenção ao seu corpo para evitar lesões. E, acima de tudo, encontre uma atividade que você realmente goste. Isso faz toda a diferença.

    Uma história que inspira, emociona e prova que a idade não é um obstáculo quando há paixão, disciplina e coragem.

  • A Queda de Ícaro: quando astrofotografia, coragem e precisão se alinham diante do Sol

    A Queda de Ícaro: quando astrofotografia, coragem e precisão se alinham diante do Sol

    A imagem viral batizada de “A Queda de Ícaro” não é montagem, nem ilustração digital. É o resultado real e extraordinário da colaboração entre o astrofotógrafo norte-americano Andrew McCarthy e o paraquedista Gabriel C. Brown, que conseguiram registrar a silhueta de um corpo humano em queda livre perfeitamente alinhada com o disco solar. Uma captura histórica, tecnicamente complexa e visualmente poética, que une ciência, arte e ousadia em um único instante.

    Um salto humano diante do Sol — e totalmente real

    A fotografia foi registrada em luz hidrogênio-alfa, um comprimento de onda especializado que revela detalhes da atividade solar, como manchas solares, filamentos, plumas de plasma e turbulência magnética. Foi nesse cenário real que surgiu a silhueta escura de Brown, em queda controlada, recortada contra o Sol como um personagem de uma lenda moderna — um Ícaro contemporâneo, voando não com asas de cera, mas com precisão tecnológica.

    A ideia nasceu no ar

    Segundo McCarthy, a inspiração aconteceu meses antes, quando ele e Brown fizeram um salto de paraquedas juntos. Após o voo, comentaram — meio em brincadeira — se seria possível unir paraquedismo e astrofotografia. A ideia amadureceu até resultar em um plano ousado: usar um paramotor para posicionar Brown na altitude ideal, alinhar seu corpo com o Sol e disparar o registro no exato instante em que o paraquedista cruzasse o campo visual da lente.

    Para isso, McCarthy utilizou várias câmeras de alta precisão, tripés alinhados milimetricamente e comunicação ao vivo com Brown e o piloto do paramotor. O piloto monitorava a sombra projetada no solo para prever o melhor momento de alinhamento. Quando a silhueta começava a cruzar a zona desejada, reduzia a velocidade e ajustava a trajetória até o ponto perfeito.

    Foram necessárias seis tentativas para capturar o momento certo

    De acordo com McCarthy, cinco tentativas falharam, cada uma por motivos diferentes: posicionamento irregular, sombra fora do ângulo, turbulência, luz inadequada e até falhas de equipamento. Só na sexta tentativa todos os elementos se alinharam: altitude, trajetória, posição solar, foco — e, claro, o salto de Brown. McCarthy disparou a imagem no momento exato em que o paraquedista desenhou sua silhueta sobre uma área ativa do Sol.

    Muito além de um registro: uma obra científica, artística e simbólica

    “A Queda de Ícaro” não é apenas impressionante pelo impacto visual, mas também pela complexidade técnica, pelos riscos envolvidos e pela precisão astronômica e humana necessários para realizá-la. Segundo McCarthy, esta imagem já está entre as cinco mais importantes de toda sua carreira, o que é significativo considerando que ele já registrou:

    • A Estação Espacial Internacional cruzando uma erupção solar
    • Um foguete da SpaceX atravessando o disco solar
    • Plumas de plasma solar com mais de 1,6 milhão de quilômetros
    • A Lua e Marte com definição cinematográfica durante um eclipse

    O Sol como tela — e o ser humano como desenho

    A silhueta de Brown, solitária e suspensa diante do Sol, remete à eterna relação entre humanidade e universo: pequena, mas ousada; frágil, mas inventiva; limitada, mas motivada a ir sempre mais alto.

    Nas palavras do próprio McCarthy:
    “Ver aquele corpo perfeitamente enquadrado contra o Sol foi emocionante. Era arte, era ciência — era algo raramente possível.”

    A imagem está à venda online, e já é considerada um dos registros mais poéticos da astrofotografia moderna — um momento raro em que o céu, a tecnologia e o espírito humano se alinham com precisão cirúrgica.

  • O enigma do Homem de Marree: o gigantesco geoglifo australiano que intriga o mundo desde 1998

    O enigma do Homem de Marree: o gigantesco geoglifo australiano que intriga o mundo desde 1998

    Em junho de 1998, pilotos que cruzavam o árido interior do sul da Austrália se depararam com algo absolutamente improvável: no solo avermelhado do planalto de Finniss Springs, surgia a figura colossal de um homem nu segurando um possível bumerangue ou bastão de arremesso. Visível apenas do alto, o desenho tinha 3,5 km de comprimento e 28 km de perímetro, tornando-se instantaneamente um dos maiores geoglifos já registrados no planeta. Assim nascia o famoso Homem de Marree, ou “Gigante de Stuart”, um dos mistérios modernos mais intrigantes da arte terrestre.

    Mistério desde o primeiro dia

    A figura surgiu repentinamente entre 27 de maio e 12 de junho de 1998, conforme revelam imagens de satélite. Poucos dias depois, hotéis da região receberam um fax anônimo com coordenadas exatas e uma suposta reivindicação de autoria. O texto, repleto de expressões americanas, despertou ainda mais desconfiança e deu origem à hipótese de envolvimento estrangeiro.

    Segundo o Observatório da Terra da NASA, o geoglifo parece ter sido criado com máquinas de terraplenagem guiadas por um sistema de GPS rudimentar, algo tecnologicamente ousado para a época. Mesmo assim, quase trinta anos depois, não existe qualquer confirmação oficial sobre quem fez o desenho – e como.

    Suspeitos, pistas e nenhuma resposta

    As teorias se multiplicam.
    Uma das mais citadas aponta para Bardius Goldberg, artista de Adelaide que teria contado a amigos ser o responsável, embora nunca tenha surgido prova concreta. Outras suspeitas recaem sobre militares americanos, já que uma pequena placa com a bandeira dos EUA foi encontrada próximo à cabeça da figura, alimentando boatos sobre experimentos ou brincadeiras de pessoal de bases aéreas próximas.

    Em 2018, o explorador Dick Smith chegou a oferecer uma recompensa de 5 mil dólares australianos a quem provasse a autoria. Ninguém apareceu.

    Quase apagado, quase renascido

    O clima seco, o vento e a erosão quase fizeram o gigante desaparecer ao longo dos anos. Em 2016, moradores da região decidiram restaurá-lo com o auxílio de escavadeiras modernas e GPS de alta precisão. Os novos sulcos foram projetados para reter água da chuva e incentivar o crescimento de vegetação, garantindo que o contorno permaneça visível por décadas.

    Hoje, o Homem de Marree pode ser visto até do espaço – uma marca silenciosa no deserto, combinando arte, mistério e a vastidão da paisagem australiana.

    Transformado em símbolo cultural da região, ele continua desafiando pesquisadores, curiosos e amantes de enigmas. Quase trinta anos depois, permanece a mesma pergunta que surgiu em 1998: quem criou o gigante? E por quê?

  • Karina Buchalla Lutkus faz história: primeira mulher brasileira a comandar o Airbus A380

    Karina Buchalla Lutkus faz história: primeira mulher brasileira a comandar o Airbus A380

    A comandante Karina Buchalla Lutkus, de 46 anos, entrou para a história da aviação ao se tornar a primeira mulher brasileira a comandar um Airbus A380, o maior avião comercial de passageiros do mundo. O feito foi confirmado pela Associação das Mulheres Aviadoras do Brasil (Amab), que informou que o voo de cheque – exame prático que comprova a proficiência de um piloto – ocorreu em 27 de outubro de 2025.

    O Airbus A380, operado pela Emirates Airlines, é uma verdadeira joia da engenharia aeronáutica. Com 72 metros de comprimento e 79 metros de envergadura, possui dois andares e pode transportar mais de 600 passageiros. Sua cabine tem 478 m², cerca de 40% maior que a do Boeing 747, e inclui luxos como bar, spa e chuveiro.

    Uma carreira marcada por pioneirismo e dedicação

    Karina iniciou sua trajetória na TAM (atual LATAM), onde trabalhou por quase 15 anos, passando de copiloto de Fokker 100, A320 e A330 a comandante de A320. Em entrevista concedida ao O Globo em 2010, revelou com humor as reações dos passageiros ao perceberem que estavam sendo comandados por uma mulher:

    “As passageiras me cumprimentam e se dizem orgulhosas. Os homens também me parabenizam, mas alguns comentam: ‘Comecei o voo com medo, mas adorei. Voaria de novo’”.

    Em 2019, Karina ingressou na Emirates como primeiro-oficial do Airbus A380, mas sua carreira foi temporariamente interrompida pela pandemia de Covid-19, que afetou fortemente o setor aéreo. De volta ao Brasil, passou a integrar a Azul Linhas Aéreas como instrutora de voo dos Embraer 190 e 195. Anos depois, retornou aos Emirados Árabes Unidos, reassumindo seu posto na Emirates, onde continua atuando.

    Em nota nas redes sociais, a Amab celebrou o marco:

    “A aviação brasileira ganha mais um capítulo de inspiração. Parabéns, Karina! Você abriu mais uma porta e mostrou que não existem limites para quem acredita, se dedica, tem foco, resiliência e paixão por voar”.

    Pioneirismo feminino na aviação brasileira

    Antes de Karina, outra brasileira já havia pilotado o A380: Aline Borguetti, em 2021, como copiloto da Emirates. Aline começou na aviação em 2007, como comissária da Gol, e após anos de estudo e treinamento, tornou-se piloto comercial, chegando ao cockpit do maior avião do mundo.

    A história das mulheres na aviação comercial no Brasil é marcada por nomes como Carla Roemmler, primeira mulher a comandar um avião de grande porte no país (um Boeing 737-200 da VASP, em 1996), e Arlete Ziolkowski, primeira piloto da aviação brasileira, também pela VASP, em 1986.

    Apesar dos avanços, os números ainda revelam um longo caminho pela frente: segundo a Anac, em 2024, apenas 3,2% dos pilotos e mecânicos de manutenção aeronáutica no Brasil eram mulheres.

    O feito de Karina Buchalla Lutkus representa, portanto, um marco não apenas técnico, mas simbólico: a prova de que a paixão pelo voo não tem gênero e que as mulheres brasileiras continuam abrindo caminhos nos céus do mundo.

  • Brasil perto de conquistar novo reconhecimento canino internacional: o buldogue campeiro ganha espaço no mundo

    Brasil perto de conquistar novo reconhecimento canino internacional: o buldogue campeiro ganha espaço no mundo

    O universo canino brasileiro não vive apenas de vira-latas simpáticos e carismáticos que conquistam o público em produções de streaming. Enquanto cães sem raça definida seguem mostrando a força do afeto e da diversidade animal no país, outra história importante se desenvolve na cinofilia nacional: o Brasil está a poucos passos de receber um novo reconhecimento internacional para uma raça genuinamente brasileira, o buldogue campeiro.

    A raça alcançou em 2024 o reconhecimento provisório pela FCI, a Federação Cinológica Internacional, o que significa que ela já está oficialmente no caminho para ser aceita definitivamente em todo o mundo. Se o processo seguir conforme esperado, nos próximos anos o buldogue campeiro se juntará ao fila brasileiro, ao terrier brasileiro (conhecido como fox paulistinha) e ao rastreador brasileiro como embaixador canino do país.

    Origem e função histórica do buldogue campeiro

    Como indica o nome, o buldogue campeiro descende de buldogues ingleses trazidos para o sul do Brasil por imigrantes europeus. Nas fazendas gaúchas, agricultores cruzaram e selecionaram esses cães para que se adaptassem ao trabalho no campo. O objetivo era criar um animal resistente, capaz de localizar e dominar gado, enfrentar terrenos difíceis como matas fechadas e áreas pantanosas, e auxiliar nos antigos abatedouros contendo bois.

    A descrição oficial da CBKC destaca um cão de porte médio, musculoso, compacto e com grande força física. A cabeça larga, mandíbulas poderosas e o focinho firme e proporcional foram características desenvolvidas para manter o controle sobre animais grandes e pesados. Segundo criadores e especialistas, a rusticidade e a capacidade de trabalho são marcas essenciais da raça, que consegue passar longos períodos no campo sem atenção constante do tutor.

    Nos anos 1960, com o deslocamento de produtores rurais gaúchos para o Mato Grosso do Sul, o buldogue campeiro se espalhou pelo centro-oeste do país. No entanto, mudanças sanitárias nos abatedouros e a introdução de novas raças fizeram com que seu uso diminuísse. A raça só sobreviveu graças a um esforço de preservação conduzido por criadores do Rio Grande do Sul, que padronizaram o cão e garantiram seu reconhecimento nacional.

    Hoje, cerca de 13 mil exemplares são registrados, com concentração no sul do Brasil e em países vizinhos como Uruguai e Argentina, mas com presença crescente em outras regiões e até no exterior.

    De guardião rural a cão de família

    Apesar de sua origem como cão de trabalho, o buldogue campeiro também se adaptou ao ambiente doméstico. Criadores destacam seu temperamento equilibrado, lealdade, instinto de proteção e carinho com crianças. Não se trata de um animal agressivo, mas sim de um cão atento, preparado para defender o lar quando necessário, mantendo ao mesmo tempo uma convivência afetuosa com a família.

    O padrão oficial da raça reúne descrições detalhadas sobre proporções corporais, musculatura, estrutura óssea, formato da cabeça, tipo de pelagem e outros elementos que garantem consistência genética e funcionalidade. Esses critérios são fundamentais para o processo de aprovação internacional.

    Como uma raça é reconhecida no mundo

    Para uma raça ser oficialmente reconhecida pela FCI, o kennel club nacional precisa desenvolver o padrão, registrar linhagens, monitorar características de saúde e comportamento e comprovar consistência genética ao longo das gerações. No caso do buldogue campeiro, esse trabalho já dura décadas. Após o reconhecimento provisório, a FCI acompanha o desenvolvimento da raça por cerca de dez anos, avaliando documentos, amostras genéticas, genealogias e estabilidade das características selecionadas.

    Quando todos os critérios são cumpridos, o reconhecimento se torna definitivo. Caso contrário, o processo pode ser estendido até que a raça cumpra os requisitos.

    Entre tradição, genética e cultura

    O processo de criação de raças caninas envolve não apenas genética, mas também cultura e estética. Ao longo da história, humanos moldaram raças segundo funções específicas: caça, guarda, pastoreio ou companhia. Mesmo que muitos cães hoje vivam como animais de estimação, seu comportamento, aparência e fama têm raízes diretas nessas funções originais.

    Assim como tendências na moda influenciam o consumo, padrões criados em exposições caninas também influenciam o imaginário popular sobre beleza e comportamento dos cães, mesmo entre quem adota sem se preocupar com raça. O buldogue campeiro, assim, simboliza não só um resgate histórico e funcional, mas também o lugar do Brasil na cultura global da cinofilia.

    Com rusticidade, força, inteligência e lealdade, o buldogue campeiro se prepara para expandir sua presença e, quem sabe em breve, representar oficialmente o país ao lado das outras raças brasileiras já reconhecidas no cenário mundial. Uma história de preservação, tradição rural e orgulho nacional que segue ganhando capítulos importantes.

  • O lendário Ovo de Inverno da Casa Fabergé será leiloado por até 27 milhões de dólares em Londres

    O lendário Ovo de Inverno da Casa Fabergé será leiloado por até 27 milhões de dólares em Londres

    Símbolo máximo do luxo e da opulência do Império Russo, o lendário Ovo de Inverno da Casa Fabergé voltará aos holofotes mais de um século após sua criação. A peça, esculpida em cristal e cravejada de diamantes, será leiloada pela Christie’s de Londres a partir do dia 2 de dezembro, com estimativas que chegam a US$ 27 milhões — cerca de R$ 145 milhões. Se o valor for confirmado, o artefato poderá estabelecer um novo recorde histórico para uma obra da icônica joalheria russa.

    Entre 1885 e 1916, a House of Fabergé, sediada em São Petersburgo, produziu 50 ovos de Páscoa imperiais, encomendados pelos czares da Rússia como presentes luxuosos para suas famílias. Cada ovo era uma combinação única de arte, engenharia e simbolismo religioso, e o Ovo de Inverno é considerado um dos maiores feitos da marca.

    Encomendado em 1913 por Nicolau II como presente para sua mãe, a imperatriz Maria Feodorovna, o Ovo foi criado pela designer Alma Pihl, uma das raras mulheres a ocupar esse cargo na Fabergé. Esculpido em cristal de rocha, decorado com flocos de neve em platina e diamantes lapidados em forma de rosa, o objeto se abre para revelar uma cesta de platina cravejada de pedras preciosas, contendo um buquê de flores brancas. A base, também em cristal, foi projetada para lembrar um bloco de gelo derretendo, simbolizando a transição do inverno para a primavera — e, segundo a Christie’s, a renovação da vida e a ressurreição, temas centrais da Páscoa ortodoxa.

    Inspirada pelos cristais de gelo que via em sua janela, Alma Pihl criou um padrão de flocos de neve que se tornaria um ícone da Casa Fabergé. A artista também foi responsável por outro célebre projeto: o Ovo de Mosaico, atualmente preservado na Coleção Real do Reino Unido.

    A história do Ovo de Inverno, no entanto, é marcada por mistério. Após a Revolução Russa de 1917, a família Fabergé fugiu do país e muitos dos ovos foram confiscados pelos bolcheviques e vendidos no exterior. Dos 50 ovos originais, apenas 43 sobreviveram — a maioria em museus renomados como o Metropolitan Museum of Art, o Virginia Museum of Fine Arts e o Fabergé Museum de São Petersburgo. Sete ainda pertencem a colecionadores particulares, incluindo o Ovo de Inverno.

    Considerado perdido por quase 20 anos, o artefato reapareceu em 1994, quando foi vendido pela Christie’s em Genebra por ₣ 7,26 milhões, batendo o recorde da época. Em 2002, foi novamente leiloado em Nova York, alcançando US$ 9,57 milhões. Agora, com valor estimado três vezes maior, ele poderá quebrar seu próprio recorde e consolidar-se como um dos objetos de arte mais caros já produzidos na Rússia imperial.

    Para Margo Oganesian, especialista da Christie’s em arte russa, o evento é uma ocasião única:

    “O Ovo de Inverno é uma das criações mais sublimes de Fabergé, tanto técnica quanto artisticamente. Leiloá-lo é como abrir uma janela para a era dourada dos czares”, declarou.

    Um século depois da queda do império, o brilho do Ovo de Inverno continua a encantar colecionadores, historiadores e amantes da arte — um lembrete de quando até os ovos de Páscoa podiam ser feitos de diamantes e sonhos imperiais.